quinta-feira, 4 de setembro de 2025

 

Ataulpho Wother: Um Herói anônimo da 2ª Grande Guerra Mundial

Ele foi um soldado Herói anônimo por seis anos na defesa dos cidadãos pelotense durante toda a 2ª Guerra Mundial. No seu Certificado Militar de 1ª Categoria expedido pelo Ministério de Guerra Brasileiro, consta que papai era graduado como Soldado 1ª e 2ª Praça. Eu sempre imagino o meu papai Ataulpho, um Herói anônimo durante os seis anos da 2ª Guerra Mundial vestindo a sua farda militar, empunhando seu fuzil, bem vigilante, atento, olhando tipo uma águia para conferir se o inimigo estava vindo atacar o seu quartel, ou se haviam lançado um míssil portando uma bomba em sua direção. Na realidade papai serviu o exército brasileiro por 7 anos, tendo iniciado seu serviço militar em 1938 no 9º Regimento de Infantaria pelotense. Bah! Que Herói!

Papai nasceu na localidade Passo do Salso em Pelotas no dia 26/08/1921, sendo filho de um produtor rural, no caso desempenhado principalmente as atividades de avicultor, agricultor e suinocultor.

Papai me contava que durante seus 7 anos servindo a Pátria no Quartel do 9º Regimento de Infantaria pelotense estudou e se especializou em eletrotécnica, eletrônica, Telecomunicações e enfermagem. No Certificado de Reservista de meu pai consta que ele serviu na Unidade de Quadros do 9º Regimento de Infantaria em Pelotas, o que significa que ele era um soldado muito bem-preparado para atuar nos combates aos inimigos nazistas, onde apoiaria seus colegas soldados no fornecimento de peças de reparação do armamento e do material bélico, dando o apoio operacional ao exército, garantindo o sucesso das tropas em combates.

No seu Certificado de Reservista consta que o meu pai era um esclarecedor de montagem de armamento no exército. Eu lembro que papai entendia de armas de fogo, tanto que o vi várias vezes dando a manutenção no revólver e no fuzil de seu pai, o vovô Willy.  O meu papai dizia que caso ele fosse para o campo de batalha lá na Europa, ele já estava selecionado para ser o Operador de telefone de Infantaria, sendo uma função perigosíssima para um soldado, daí o motivo dele ter se especializado em telecomunicações.

Meu papai não foi como o famoso ator de filmes Westerns Audie Murphy, Herói da 2ª Guerra Mundial, soldado mais condecorado dos USA que se envolveu nos campos de combates sangrentos com os inimigos nazistas, mas ficou de guarda por seis anos no quartel, o 9º Regimento de Pelotas, vivendo uma situação perigosa, correndo risco de vida a cada segundo e tudo para garantir a proteção dos seus colegas militares ali presentes e da população pelotense. Meu falecido pai também várias vezes se deslocava da cidade de Pelotas até o Porto Marítimo da cidade de Rio Grande/RS a serviço militar do 9º Regimento pelo fato da presença de navios nazista próximos ao litoral gaúcho durante a 2ª Guerra Mundial.

Eu fiquei sabendo a uns anos atrás através de alguém falando em um programa de TV, que Pelotas durante a 2ª Guerra Mundial tinha o maior contingente militar do estado gaúcho. Nossa cidade de Pelotas fica próximo a 60 km distante do porto marítimo da cidade de Rio Grande/RS e sendo assim na década de 40 era um Paiol de Pólvora que ficava à mercê do inimigo nazista, sendo uma cidade explosiva. É, meu pai na 2ª Guerra Mundial não lutou com os aliados contra o inimigo nazista num campo de batalha tipo a Normandia na França ou na Batalha do Atlântico como os ingleses, mas, Pelotas no seu quartel 9º Regimento de Infantaria, o local que se encontrava de guarda por 6 anos era perigosíssimo.

      ATAULPHO WOTHER

      CERTIFICADO DE RESERVISTA DE 1ª CATEGORIA

    Autor: Oscar Wother - Data: 28/08/2025

  

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS CAIXAS DE ÁGUAS GIGANTES DE FERRO ESCOCESAS PELOTENSES E RIOGRANDENSE

  Historiador Oscar Wother    

                       

PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS GAÚCHO DE ORIGEM BRITÂNICA

A Grã-Bretanha esta representada nas cidades de Pelotas e Rio Grande principalmente pelas duas Caixas de Água de ferro escocês. Em 1870 Hygino Correia Durão através das duas Companhias Hidráulicas, a Rio-grandense e a Pelotense foi autorizado pelo governo da província RS a comprar dois Reservatórios de Água e tratar de suas instalações com a empresa Hannah, Donald & Wilson de Paisley (Escócia). Em Pelotas a obra foi concluída em 1875 e na cidade de Rio Grande em 1876.

 

ERRO HISTÓRICO DA PROCEDÊNCIA DA CAIXA DE ÁGUA PELOTENSE

Henrique Carlos de Moraes, em 1892 com a escassez de água em Pelotas, em seus artigos citava que a Caixa de Água da Praça Piratinino havia vindo da França, errando, pois, isto foi usado como informação em estudos e pesquisas na época, aliás, até hoje, século 21.

 

TESE CONFIRMANDO AS CAIXAS DE ÁGUA SER BRITÂNICAS

Aline Montagna da Silveira em sua Tese de Doutorado (FAUUSP) diz na página 222 que a Caixa de Água veio da Escócia (UK). Na página 222 da Tese de Doutorado de Aline Montagna da Silveira é dito também que Henrique Carlos de Moraes em seus artigos escrevia confundindo a Caixa de Água escocesa da Praça Piratinino montada em 1875 com a Caixa de Água francesa instalada na Represa Moreira em 1893.

Na Tese de Doutorado de Aline Montagna da Silveira na página 187 diz que Hygino Corrêa Durão e João Frick, responsáveis pela Companhia Hidráulica Rio-Grandense assinaram documento enviado à Presidência da Província que continha plantas e orçamentos que provavelmente foi redigido pelos engenheiros escoceses Bell e Miller. Esta atuação conjunta de Durão e FricK prova que tratavam com a mesma empresa que executaria as obras em Pelotas e Rio Grande, além do projetos dos dois reservatórios de água terem aspectos semelhantes, sendo portanto escocesa.

 

TOMBAMENTO

A Caixa de Água de Ferro escocesa de Pelotas foi tombada pelo IPHAN, sendo um Patrimônio Histórico Nacional e registrada em 19/07/1984 no Livro de Belas Artes sob o número 56, processo número 1064-T-82.

 

NOTA: Há erro de registro na origem da Caixa de Água dizendo que é da França. A CAIXA DE ÁGUA VEIO DA GRÃ-BRETANHA, ESCÓCIA.

A Caixa de Água de Ferro escocesa da cidade de Rio Grande foi tombada pelo IPHAE com inscrição no Livro Tombo em 06/12/2013.

 

CONCLUSÃO

Graças a Tese de Doutorado de Aline Montagna da Silveira (FAUUSP), ao DICIONÁRIO de HISTÓRIA de Pelotas, a Monografia de Janaina Silva Xavier (UFPEL) e do IPHAE que podemos afirmar a ORIGEM BRITÂNICA das Caixas de Água de Ferro das cidades de Pelotas e Rio Grande. Infelizmente setores de Turismos no RS, o IPHAN e outras entidades no Brasil informam em seus sites a origem erradamente das duas caixas de Água de Ferro gaúchas. Pergunto, porque a mais de um século, quase 128 anos, indivíduos e entidades seguem o mesmo erro de Henrique Carlos de Moraes, afirmando que os dois reservatórios de água é francês, se ao longo da história pessoas idôneas e esclarecidas já mostraram a procedência britânica das duas Caixas de Água de Ferro gaúchas.

A fim de ilustrar o meu texto irei mostrar três fotos, foto 1 da Tese de Aline Montagna, fotos 2 e 3 vistas no site do IPHAE. A foto 1 refere-se a Caixa de Água escocesa instalada na Praça Piratinino em Pelotas. As fotos 2 e 3 mostram respectivamente as Caixas de Água escocesas de Pelotas e Rio Grande.








 

E-MAIL: oscarwother@live.com 



REFERÊNCIAS

SILVEIRA, Aline Montagna da. Tese de doutorado FAUUSP. Disponível em: <https://teses.usp.br/.../DE_FONTES_E_AGUADEIROS_DIGITAL.pdf>. Acesso em 05 de set. 2020.

Dicionário de História de Pelotas.pdf – Repositório. Disponível em: <http://repositorio.ufpel.edu.br:8080/.../Dicion%c3%a1rio...>. Acesso em 17 de jul. 2019.

Bem Tombado – IPHAE. Disponível em: <http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php...>. Acesso em 21 de nov. 2019.

XAVIER, Janaina Silva – Monografia. Chafarizes e Caixa D`Água de Pelotas. Disponível em: <https://wp.ufpel.edu.br/.../Jana%C3%ADna-Silva-Xavier-%E2...>.

Acesso em 14 de mar. 2020.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html...>. Acesso em 25 de jun. 2020.

TORRES, Luiz Henrique - História e Historiografia do RS: A caixa d’água da Hidráulica. Disponível em: <https://historiaehistoriografiadors.blogspot.com/.../a-ca...>. Acesso em 04 de jul. 2020.

 

domingo, 13 de outubro de 2019

A HISTÓRIA DA FAMÍLIA DIAS WOTHER PELOTENSE


INTRODUÇÃO
Meu nome é Oscar Fernando e vou tentar contar a história de minha origem Anglo-lusitana, mostrando todos os meus sobrenomes desde o meu tataravô britânico e bisavô português, destacando os sobrenomes Lourenço, Dias e Wother. Mostrarei também algumas fotos antigas para ilustrar este maravilhoso histórico familiar, e inclusive os locais e datas dos surgimentos dos sobrenomes LourençoDias e Wother, que considero o marco mais importante para que a minha família existisse. 
Em geral, os sobrenomes europeus  se originavam através de homens nobres, cavaleiros ou então de guerreiros que se destacaram nas lutas para defender um castelo ou o próprio reino de uma nação. Em decorrência de guerras em demasia entro de seus países e entre nações, esses homens nobres, cavaleiros e guerreiros conquistaram brasões,  onde seus nomes ou sobrenomes ficaram famosos. Por sorte, por terem prestado serviços a seus países há uns séculos atrás, alguns parentes meus do passado ou prováveis antepassados , receberam por mérito brasões de seus monarcas.
Pretendo encerrar este histórico dos meus sobrenomes tentando apresentar a etimologia dos sobrenomes da minha família LourençoDias e Wother
A pesquisa e estudo etimológico dos sobrenomes portugueses Lourenço e Dias foi mais tranquila, pois os seus dados históricos são mais acessíveis. Vou destacar neste histórico familiar o meu bisavô português Jorge Lourenço, pessoa que considero marcante na história da família Lourenço Dias na cidade de Pelotas/RS. 
Por outro lado, o meu sobrenome paterno Wother  demandou certa complexidade na pesquisa, pelo fato de ser um nome de família britânica e que fez parte a evolução do idioma inglês, o qual teve no mínimo três modificações em sua pronúncia e escrita.
Junto com a etimologia do sobrenome Wother, apresentarei uma perícia que fiz das formas escritas ou das grafias feitas no manuscrito Domesday Book, livro de autoria do Rei inglês William no século XI d.C., que através de seu escriba levantou centenas de nomes ou sobrenomes dos proprietários rurais nos condados da Grã-Bretanha, dentre eles o meu nome de família britânico, e tê-los escrito de diversas formas diferentes.
Relevante esclarecer que o Domesday Book é um manuscrito inglês escrito em latim medieval do século XI d.C., de autoria do Rei William da Inglaterra, que por meio de um escriba registrou mais de 13.000 cidades e aldeias localizadas em 40 condados da Grã-Bretanha. Estas cidades e aldeias existem até hoje, porém de forma diferente do ano 1086 d.C. Na realidade, um grande número destas localidades eram fazendas e tinham respectivamente os nomes, ou apelido de seus fundadores, ou o sobrenome de seus proprietários. Encontrar o manuscrito Domesday Book foi uma luz para entender a origem do o meu sobrenome britânico.
Toda história familiar acontece a partir de um momento... No caso da família Dias Wother pelotense, conforme contava o meu falecido pai Ataulpho Wother, próximo ao final da Segunda Grande Guerra, ano 1944, ele conheceu uma moça de nome Diva Lourenço Dias, a namorou e em 1945 deu baixa no Nono Regimento de Infantaria de Pelotas, casando-se com a mesma. Papai e mamãe foram morar no Bairro Fragata, e em 04 de julho de 1947 eu nasci. Quando eu tinha seis anos de idade nasceu a minha irmã Mariazinha e após fomos morar no Bairro Santa Terezinha, onde tive uma adolescência maravilhosa e uma aprendizagem de vida imensurável.  

FAMÍLIA LOURENÇO DIAS PELOTENSE
Conforme contavam a minha falecida mãe Diva e minha falecida madrinha Maria, conhecida por Lia, meu bisavô materno Jorge Lourenço ainda bem jovem partiu de Coimbra, Portugal, chegando em Pelotas/RS por meados da década de 70 do século XIX. Meu bisavô Jorge Lourenço adquiriu aproximadamente 20 hectares de terra na área rural junto ao Arroio Pelotas, na localidade Santo Antônio, Cascalho, 1º subdistrito de Dunas.
Jorge Lourenço conheceu uma moça de sobrenome Palheta, a namorou e casou-se com a mesma, tendo um filho também chamado Jorge e uma filha de nome Eulália.  Ele construiu uma casa em suas terras próximo às margens do Arroio Pelotas e iniciou um empreendimento na área de produção de tijolos e extração de areia. Durante uma grande inundação ocorrida no início do século XX, o patriarca da família Lourenço teve que se mudar para a parte mais alta de suas terras, porque habitava às margens do Arroio Pelotas, que restou alagado, tanto que, sua casa, galpões e olaria,  foram destruídos.
Mamãe contava que servidores do governo municipal pelotense iam ajudar de barcos os que residiam às margens do Arroio Pelotas e que com dificuldades tiraram o meu bisavô Lourenço de sua moradia, visto que ele não queria sair dali , inobstante sofresse risco de vida.
Após a inundação, o velho português rapidamente construiu um rancho de torrão com telhado de Santa Fé na parte mais alta de suas terras e abrigou sua família no mesmo. Na segunda década do século XX um rapaz de nome Ordálio Dias, de origem portuguesa, conheceu a moça Eulália, namorou e casou-se com a mesma, tendo seis filhas e um filho, contribuindo com a continuidade da prole do meu bisavô Jorge Lourenço.
O bonito da história dos Lourenço Dias, é que seu patriarca Jorge Lourenço no final do século XIX e início do século XX fabricava tijolos e os transportava juntamente com areia em seu barco pelo arroio Pelotas, para entregar estes produtos a seus clientes na cidade pelotense. Isso contribuiu, provavelmente, na construção de muitas casas da cidade do doce, muitas das quais integram na atualidade o patrimônio histórico municipal. Inclusive, minha mãe contava que os fregueses pelotenses iam de barco através do Arroio Pelotas até a olaria do meu bisavô Lourenço, para comprar tijolos e areia.
Eu, Oscar, nos tempos de guri, anos 50 do século XX d.C., fui muito nas terras adquiridas pelo meu bisavô Jorge Lourenço para pescar no Arroio Pelotas.

Fotos históricas batidas com a antiga máquina Kodak do meu pai na propriedade da família Lourenço Dias.

Foto 1:
   




Vemos acima a foto 1 batida em 1959, eu (Oscar), minha mãe Diva, minha irmã Mariazinha e o meu pai Ataulpho Wother, onde tivemos a oportunidade de sermos fotografados em frente ao rancho de torrão com telhado de Santa Fé, um belo patrimônio histórico da família Lourenço Dias.

Foto 2:
  



Vemos acima uma foto 2 do ano 1959, onde mostra meu falecido pai Ataulpho numa pescaria no Arroio Pelotas, aos fundos das terras da família Lourenço Dias.


FAMÍLIA LOURENÇO DIAS EM PORTUGAL:

Figura 1:

BRASÃO DA FAMÍLIA DIAS


Figura 2:

BRASÃO DA FAMÍLIA LOURENÇO

 

BRASÃO DIAS
A família Dias portuguesa foi abençoada com o nascimento de Manuel Passos Dias no século XVIII d.C., Cavaleiro das Ordem de Cristo, que se destacou ao serviço do Reino, recebendo Carta de Brasão de Armas em 4/3/1752 do Soberano de Portugal e Algarves, Rei José I, conhecido como O Reformador.
No século XVIII outros membros da família Dias se destacaram  nos serviços do Reino Português, igualmente recebendo o mesmo brasão concedido a Manuel Passos Dias, onde destaco outro Cavaleiro de Cristo, Jerônimo Lourenço Dias, Capitão e Monteiro-Mor da Vila de Lomba, que em 26/03/1823 recebeu do Rei José I Cartas de Brasão de Armas.
O brasão Dias (fig. 1) é constituído de um escudo de cor azul com uma Estrela dourada de dez pontas e, conforme minhas pesquisas, é o símbolo nobre oficial da família Dias.

BRASÃO LOURENÇO
Pelas minhas pesquisas descobri que no século XV d.C., um homem de nome João Lourenço, prestou relevantes serviços ao Reino Português por mar e terra, na África e em diversos outros países, razões pelas quais Dom Afonso V lhe concedeu o brasão de armas da família Lourenço. 
A história conta que  pelo fato de João Lourenço ter recebido o brasão de família do rei Dom Afonso V, o sobrenome Lourenço foi registrado honrosamente nos documentos da coroa portuguesa em 1475 d.C..
No brasão da família Lourenço (fig. 2) predomina a cor azul, com três estrelas douradas de oito pontas cada uma. Na parte superior tem uma parte dourada e ondulada, parte esta do desenho que se separa da parte azul.
Conforme dito alhures,  em 1823, em Portugal, um membro da família Lourenço de nome Jerônimo Dias Lourenço já apresentava os referidos dois sobrenomes, mostrando que as famílias Dias e Lourenço já se uniram no início do século XIX e bravamente conquistaram os brasões de família acima apresentados.
No início do século XX, em 1919, nascia em Pelotas, RS, minha mãe Diva Lourenço Dias, mostrando mais uma vez a união destes dois sobrenomes portugueses com um histórico heróico em Portugal.     


ETIMOLOGIA DOS SOBRENOMES LOURENÇO - DIAS

Sobrenome Lourenço
A história conta que o sobrenome Lourenço deriva do nome Laurencius e apareceu em Portugal no início do século XII d.C.. O nome Laurencius era de um santo que viveu no século III na Espanha e que habitava em Roma, sendo torturado por ordem do Imperador Valeriano, pelo motivo de não revelar ao mesmo onde havia escondido os tesouros da Igreja Católica que estavam sob sua guarda.
O sobrenome Lourenço significa louro e é também o nome de uma árvore existente na região mediterrânea, cujas folhas, devido ao seu forte aroma, são usadas como condimento na culinária mundial.

Sobrenome Dias
O sobrenome Dias português é na realidade original da Espanha, que significa o filho do Diogo. O sobrenome Dias é patronímico, ou seja, se refere ao nome do pai de uma pessoa, conforme a ciência que estuda a etimologia dos nomes próprios.   
Dias é um sobrenome categorizado como bíblico se referindo a Jacó e Esaú. De acordo com a Escritura Sagrada, Jacó, personagem do Antigo Testamento na Bíblia nasceu segurando o calcanhar de seu irmão gêmeo Esaú.

FAMÍLIA WOTHER PELOTENSE
A história dos Wothers pelotenses começa com a chegada do meu tataravô inglês Thomas Wother durante a Revolução Farroupilha, no ano 1840.
Meu pai contava que o seu bisavô teria vindo de um local na Inglaterra que tinha nosso sobrenome Wother
Após chegar ao Brasil meu tataravô conheceu uma moça de nome Flávia de Medeiros, casaram-se e foram morar no interior de São Lourenço do Sul/RS, quando esta  ainda não tinha se emancipado de Pelotas. Desde o início os Wother se envolveram com famílias de origem portuguesa e espanhola, gerando a sua prole britânica gaúcha. Meu pai contava-me, que no início do século XX o meu tataravô inglês Thomas, a minha tataravó Flávia e alguns de seus filhos morreram no interior de São Lourenço do Sul, e após estes episódios o meu bisavô Osório Wother se mudou para Guabiroba em Pelotas. 
Osório Wother tinha cidadania inglesa, nasceu em 1870 e em 1916 faleceu em sua residência na Guabiroba, Pelotas. Ele foi empresário, tendo uma casa comercial instalada à Avenida XX de Setembro em Pelotas. 
O meu falecido pai me contava que vovô Thomaz lhe dizia que o pai dele tinha um enorme armazém geral e que tinha desde uma enxada, martelo, pregos, arado, bebidas, queijo, farinha, arroz, feijão, carne, sementes, etc, sendo assim um grande empreendimento comercial no início do século XX em Pelotas. Conforme o meu pai contou-me, meu bisavô Osório conheceu uma moça chamada Zeferina Igansy, filha de fazendeiros pelotenses, família de imigrantes oriundos do golfo ou baia de Biscaia (pais Basco), um local entre Espanha e França, namorou-a e casou-se com a mesma, tendo dois filhos, o vovô Thomaz (nascido em 1895 e falecido em 1972),  conhecido pelo apelido Willy , e meu tio Theodoro, nascido em 1908 e falecido na década de 1970.

Nota de falecimento do meu bisavô Osório Wother
Em 2016, o historiador Giuseppe Platt Figurelli da cidade de Rio Grande/RS enviou-me o recorte de jornal abaixo (fig. 3) comunicando a morte de meu bisavô Osório Wother em 1916 em Pelotas.

Figura 3:



  
Com a morte de meu bisavô Osório em 1916, ao vovô Thomaz já com 20 anos de idade coube à responsabilidade de criar seu irmão Theodoro, que só tinha seis anos de idade.
O meu avô Thomaz Wother (apelido Willy) conheceu uma moça do Povo Novo de nome Jolvira Santos e casou-se com a mesma, sendo progenitores de cinco filhos (Ataulpho, Carlos, Oscar, Oswaldo e Gilberto) e quatro filhas (Dolores, Elza, Ondina e Celina). 
Vovô Thomaz comprou uma Chácara no Passo do Salso em Pelotas, RS, e foi produtor rural, possuindo um abatedouro em sua Chácara. Ele comercializava carnes de porcos e galinhas em sua banca no Mercado Público pelotense no período de 1920 a 1950. Meu falecido pai contava-me que entre as décadas de 20 a 40 do século XX, seu pai Thomaz , junto com seu amigo Ruas (que tinha sua chácara quase em frente das terras de meu avô, tendo inclusive o mesmo tipo de empreendimento, com banca no Mercado Público pelotense), se uniam, pegavam seus carroções puxados por quatro cavalos e às vezes seis animais e percorriam a área rural de Pelotas para comprar galinhas e porcos. As viagens de negócios do vovô Thomaz com o amigo Ruas, em seus carroções pela área rural de Pelotas, duravam mais de dois dias, tendo os mesmos que pernoitarem muitas vezes à beira de estrada, ou se instalarem em hospedarias rurais, tal como a que era disponibilizada pelo Sr. Carlito Shawn, em Capão do Leão/RS.      
Meu falecido pai Ataulpho contava que o seu bisavô Thomas Wother trouxe da Inglaterra um baú contendo documentos que continham o carimbo do governo monárquico inglês citando a propriedade da família Wother na Inglaterra. Meu pai foi o guardião do referido baú e inclusive falava que no mesmo havia uma tesoura de tosquear ovelhas, o que indica que o meu tataravô lidava com ovinos e lã lá na Inglaterra. Em 1937 meu pai foi servir a pátria no Nono Regimento pelotense como soldado por oito anos durante a 2ª Guerra Mundial, estudando enfermagem para fazer parte da Cruz Vermelha, especializando-se em eletrotécnica e telefonia, porque, conforme o mesmo, ele seria o responsável pela comunicação entre os nossos pelotões durante o confronto no campo de batalha lá na Europa. O meu falecido pai foi um soldado bem preparado para defender a pátria durante a 2ª Guerra Mundial e por oito anos ficou retido no quartel para a qualquer momento ser enviado para o campo de batalha na Europa.
Com o final da 2ª Guerra Mundial em 1945, meu pai teve baixa, recebendo o Certificado de Primeira Categoria do Ministério da Guerra brasileiro. No certificado de baixa do meu falecido pai diz que ele foi instrutor (esclarecedor) de manuseio de armas no Nono Regimento em Pelotas, RS. Quando meu pai retornou para casa no Passo do Salso, a primeira coisa que fez foi procurar o baú dos Wothers, mas não mais o localizou. Papai perguntou aos meus avós e a alguns irmãos  onde estava o baú, mas os mesmos não sabiam de nada. Pois bem, até hoje nunca mais foi visto o baú, que desapareceu.
Após a 2ª Guerra Mundial, final da década de 40, meu falecido pai foi trabalhar na empresa Light Power pelotense, iniciando sua atividade no setor das caldeiras da Usina elétrica, lidando muito com carvão usado como combustível para alimentar os referidos recipientes para a geração de energia elétrica.
Meu pai contou-me que certo dia o vovô Thomaz trafegava com sua charrete, transportando carne para vender em sua Banca no Mercado pelotense, quando passou em frente ao prédio da Light Power e viu um amigo dele, um inglês que atuava junto ao comando da companhia de energia elétrica em Pelotas, parou, cumprimentou seu conhecido e começaram a conversar. Vovô Thomaz conversando com seu amigo gringo, perguntou-lhe como o meu pai estava se saindo no trabalho da Light Power.
O inglês, admirado, disse, tu tens um filho teu trabalhando comigo aqui? O meu avô disse, é claro. O inglês disse ao vovô, me dá o nome do teu filho. Bem, meu pai me disse que um gringo chegou nele, e disse, tu és filho do meu amigo Thomaz Wother? Papai respondeu-lhe que sim. O inglês cumprimentou meu pai, conversaram um pouco e após, o convidou para trabalhar no setor das máquinas geradoras de energia. O meu pai me dizia que o vovô Thomaz contribuiu para ele subir de posição na Light Power, pois, quando ele viu foi promovido, ocupando o cargo de chefe da turma de manutenção das máquinas geradora de energia. Meu pai também dizia que servir a pátria no Nono Regimento de Infantaria pelotense por oito anos, permitiu ele se especializar em Eletrotécnica, onde sua promoção na Light, o levou a lidar com competência com as máquinas geradoras de energia.
Parte da história dos Wothers pelotenses foi contada por meu falecido pai Ataulpho e outra, relatada a mim pelo historiador Giusseppe Platt Figurelli, descendente de anglo-italianos da cidade Rio Grande - RS.

Fotos históricas da família Wother pelotense tiradas por meu falecido pai com sua máquina Kodak no final da década de 50.

Foto 3:



Na foto acima, tirada em 1959, vemos o meu avô Thomaz e eu montado em sua égua de corridas de pencas.

Foto 4:
  



Na foto acima (foto 4) tirada em 1959, vemos o vovô Thomaz, o tio Gilberto, eu (Oscar) a cavalo, o tio Oscar e o tio Oswaldo. A foto foi batida pelo meu falecido pai e infelizmente o vovô e os meus tios já faleceram.

SOBRENOME WOTHER NA GRÃ-BRETANHA
Eu, desde a minha adolescência, de tanto ouvir o meu pai falar que o seu bisavô vinha de uma localidade inglesa com o nosso sobrenome, comecei a pesquisar sobre o assunto. Mas nas décadas de 1950 a 1980 era muito difícil levantar dados referentes aos locais com o sobrenome Wother na Grã-Bretanha, mas graças ao avanço da tecnologia, a partir dos anos 1990 ficou mais viável pesquisar sobre este assunto pertinente a minha família britânica.
Com o surgimento da Internet, eu pude pesquisar melhor e descobri um livro chamado Domesday Book, escrito no século XI d. C., de autoria do rei inglês William, no qual estão registradas duas propriedades rurais na Inglaterra com o meu sobrenome: Wotherton (Mansão da fazenda Wother) em Shropshire e Wothersome (Casas da fazenda Wother) em Yorkshire. Estes dois locais Wothers existem até hoje, mas se transformaram em municípios ingleses.
Quando descobri via Internet estas duas propriedades rurais com o meu sobrenome Wother,  resolvi pesquisar o que significava os termos ton e some atrelados ao meu nome de família britânico. Descobri que no idioma inglês os termos ton e some atrelados ao meu sobrenome britânico indicavam respectivamente, fazenda e casas da família Wother. Saliento que era um costume dos anglo-saxões escreverem termos atrelados aos nomes ou sobrenomes dos homens que possuíssem uma propriedade rural, tipo ton e somes para indicar suas posições sócios-econômica na comunidade em que viviam.
Me questionei  porque o meu sobrenome Wother não carregava o sufixo ton ou some no Brasil. Analisei e conclui que provavelmente um homem britânico, no caso um fazendeiro que imigre para a América, por exemplo, Brasil,  poderia retirar do seu sobrenome o termo que diz ser ele um proprietário de fazenda, até porque isto representaria muita pompa para quem quer trocar de país. Observo que a maioria dos imigrantes ingleses nos USA não tiravam o sufixo ton de seus sobrenomes. O motivo desta atitude dos imigrantes dos USA de não remover, por exemplo, o sufixo ton de seus sobrenomes, provavelmente decorre do fato de se tratar de uma nação anglo-saxônica.
Dentro desse contexto, lembrei de uma frase que um conhecido meu me disse, por motivo de eu procurar algo na Internet e não achar nada. O meu conhecido disse que “qualquer assunto ou fato para estar na Internet, alguém tem de tê-lo colocado ali à disposição do público”. 

O brasão dos Wothers na Grã-Bretanha
Na Grã-Bretanha existe um livro de brasões do século XIX, Fairbairn's book of crests of the families of Great Britain and Ireland, no qual está registrado o brasão conquistado por um parente do passado ou provável antepassado da minha família Wother gaúcha.

Figura 4:
Brasão Wother



Lema escrito no brasão: Per crucem ad lucem.

Como falei antes, um parente do passado ou provável antepassado meu, membro da minha família Wother durante a Idade Média, como cavaleiro lutando pelo reino britânico, conquistou seu brasão, o qual foi constituido da figura de uma “águia avermelhada de asas abertas pousada no alto de uma torre dourada”. Durante as batalhas, geralmente a figura de um brasão era  usada encima do elmo do cavaleiro, parecendo uma crista de galo (rooster crest) e tudo isto era para identificar mais facilmente o combatente dentro da armadura de ferro.
Observo que o uso da figura de um brasão encima do elmo do cavaleiro, tipo crista durante uma batalha era um costume dos guerreiros medievais na Europa. Junto à crista encima do elmo de um cavaleiro era comum constar escrito um lema, que no caso do cavaleiro Wother era “Per crucem ad lucem”, que signifca “Pela cruz temos a luz”.  A figura de um brasão podia estar contida em diversos meios físicos, tipo escudo, elmo e roupas do cavaleiro.
Após muitas pequisas via internet, em sites e livros, posso formular um pequeno histórico, referindo que o cavaleiro Wother que conquistou o brasão descrito acima era um fazendeiro criador de ovelhas e sua propriedade rural conhecida com Wotherspoon ficava circulada por colinas, o que poderia se considerar um pequeno vale. Além disto, possuía um rico manancial de água, localizado numa região entre a Escócia e Inglaterra, porém a referida fazenda desapareceu durante o período medieval, talvez por motivo das guerras entre escoceses e ingleses.
O que considero mais importante na história do meu sobrenome britânico, é que um Wother, membro dos meus prováveis parentes proprietários da frazenda Wotherspoon, tornou-se um cavaleiro e conquistou o brasão já citado e que está registrado junto com mais de 4000 brasões no Fairbairn’s Book of Crests of the Families of Great Britain and Ireland do século XIX d.C..

Curiosidades da origem do nome Wotherspoon na Escócia.
Abaixo pretendo mostrar duas postulações de cientistas em etimologias de nomes de famílias da Grã-Bretanha, que mostram duas disputas que existem na Escócia sobre a origem do sobrenome Wotherspoon.
Estas duas postulações abaixo discutidas por cientistas em etimologias de sobrenomes britânicos, são apresentadas com minha interpretação e opinião, mesmo eu sendo um modesto historiador. 
A fim de se entender bem as duas postulações dos cientistas em etimologia, e inclusive com a minha opinião, quero lembrar rapidamente quando os Anglo-saxões e vikings começaram sua história na Escócia. Os povos Anglo–saxões invadiram e habitaram a Escócia a partir dos anos 600 d.C. e os vikings chegaram as terras escocesas para a habitarem em meados dos anos 700 d.C..
1 – O sobrenome Wotherspoon, pode vir do nome Wetherspong, (Wether=ovelhas + spong=terra), do Old English (Anglo-saxão), que significa uma propriedade rural de criação de ovelhas protegida por uma parte de terras mais alta, ou circulada por colinas e pelas minhas pesquisas indicaria uma fazenda instalada num pequeno vale arborizado e com um manancial de água. 
2 – O sobrenome Wotherspoon também pode vir do Old Norse (Viking) do nome Vatnspenna (vatn=água + spenna=manancial), que indicaria uma propriedade rural de criação de ovelhas instalada num pequeno vale arborizado com um manancial aquático.
Estas duas postulações acima tem a minha opinião em face das pesquisas feitas por mim e são até hoje discutidas pelos cientistas em etimologia de sobrenomes na Escócia.
Quanto à existência do meu sobrenome Wother na Escócia, é um fato complexo de se apurar, até pelas duas postulações descritas acima, que provavelmente são um ESTUDO LOCAL feito por especialistas britânicos. Pelas minhas pesquisas sobre sobrenomes britânicos, posso até considerar que provavelmente um parente meu durante a Idade Média, seja de Wotherton ou Wothersome, tenha ido habitar em terras escocesas, pois, devo lembrar que os Anglo-saxões também foram colonizar aquele país nos anos 600 d.C..

ETIMOLOGIA DO SOBRENOME WOTHER NA INGLATERRA
seguir pretendo apresentar como o meu sobrenome surgiu na Inglaterra, mostrando os sufixos ton e some atrelados ao mesmo. Acredito que ao lerem os históricos a seguir, será entendido algo bem complexo de como o meu nome de família britânica se formou etimologicamente na Inglaterra.
Neste trabalho etimológico que apresentarei do meu nome familiar inglês,  tentarei mostrar uma perícia que fiz das diversas grafias que o meu sobrenome Wother possuiu desde o período do Old English, passando pelo Middle English e alcançando o Modern English.
Formularei alguns esclarecimentos sobre o uso dos alfabetos rúnico e romano, de quando surgiram o sinal gráfico W e o dígrafo TH usados nos sobrenomes ingleses.  Discorrerei muito acerca do manuscrito inglês  The Domesday Book, ou The Book of Winchester, que foi todo escrito em latim medieval no século XI d.C. A finalidade destes esclarecimentos é facilitar o entendimento da etimologia do meu sobrenome e a compreensão da perícia que apresentarei sobre a grafologia do meu sobrenome inglês.

Esclarecimentos preliminares:
O Old English em geral possuía um alfabeto com 24 letras, sendo 20 letras adotadas diretas do alfabeto romano, duas eram romanas modificadas, A = Æ e D = Eth (Ð/ð), e outras duas do alfabeto runa anglo-saxão adaptadas em função do som de pronúncia, Wynn (Ƿ/ƿ = W) e thorn (Þ/þ = TH).
Os anglo-saxcões no período entre os séculos V e X d.C. fortemente usaram em suas escritas o alfabeto Runa, mas com a entrada do cristianismo na Grã-Bretanha, os monges introduziram na terra anglo-saxônica o alfabeto romano, que durou do século VIII ao século  XII d.C.. Como se vê os alfabetos Runa e romano concorreram por cerca de três séculos dentro da Grã-Bretanha.
O sinal gráfico  e/ou  chamado ðorn ou thorn no alfabeto Runa usado na escrita pelos anglos-saxões entre os séculos V e XI d.C., quando pronunciado tinha o som igualzinho as letras T e H unidas, dai porque no período do Modern English o mesmo é representado pelo dígrafo TH.
O sinal gráfico Ð (maiíusculo) e ð (minúsculo) chamado Eth conforme já mostrados antes e pelas minhas pesquisas era a letra D tomada emprestada do alfabeto romano, que foi modificada pelos anglos-saxões conforme vemos em seu desenho (Ð e ð) e introduzida no seu alfabeto Runa. O som da pronúncia do sinal gráfico Eth (Ð/ð), assim como o Thorn ( /þ) mostrado acima, principalmente no século VIII d.C., era similar ao das letras T e H do alfabeto latino escritas juntas, as quais a partir do século XV d.C., já no periodo do Modern English as mesmas foram definitivamente representadas pelo dígrafo TH.  
O sinal gráfico chamado Wynn no alfabeto Runa usado pelos anglos-saxões entre os séculos V e XI d.C., equivale a letra W criada a partir do século VII d.C., pelos germânicos habitantes das regiões da Escandinávia, Alemanha e Grã-Bretanha. O sinal gráfico W foi inventado pelos germânicos para representar o som diferente de uma das pronúncias da letra V do alfabeto romano e inclusive usá-lo em suas escritas. Saliento que o sinal gráfico W foi introduzido no alfabeto latino só a partir do século XI d.C..
Mostrarei na parte da perícia, cópias parciais de algumas páginas do manuscrito Domesday Book onde veremos com destaque a aparição destacada do sinal gráfico W, no referido trabalho feito pelo escriba do monarca William da Inglaterra no século XI d.C.. Observo que a aparição do sinal gráfico W no Domesday Book, mesmo que o escriba do rei William tenha usado duas letras Vs unidas para representar o referido sinal gráfico germânico, foi algo incrível, pois o mesmo só sabia escrever em latim, sendo assim demontrando que já estava entendendo da escrita Old English.

Um pouco da história inglesa no século XI d.C.
A invasão normanda da Inglaterra aconteceu no século XI d.C., precisamente no ano de 1066 d.C., e quando o normando William conquistou a terra Anglo-saxã, chegou falando francês, pois era um viking habitante da Normandia na França. A Inglaterra com a invasão normanda no ano 1066 passava a ter o seu vocabulário quase dobrado, pois para cada palavra anglo-saxônica agora tinha uma equivalente do latim via o francês trazido pelo monarca normando William.
A gramática ou escrita inglesa pelo meu entendimento, se assim posso falar, seguiu na realidade as regras anglo-saxõnicas desde o período Old English até o período Modern English, mesmo com diferenças bem salientes sofridas nestas etapas e não obstante as diversas alterações da escrita de seus vocábulos ao longo da história britânica.

WOTHERTON – A mansão da fazenda Wother
Em 1086 d.C., como já mencionei antes, o Rei William queria saber quantas propriedades rurais existiam na Grã-Bretanha, bem como o que produziam em suas fazendas, pois queria cobrar impostos de seus donos ou responsáveis.
O Rei William designou um escriba, alguns cavaleiros e soldados, que foram enviados aos condados para realizar tal trabalho. Quando o escriba e seus acompanhantes chegaram à fazenda dos Wothers em Shropshire, foram direto à uma mansão que ali existia. O dono, meu provável antepassado, os recebeu e ficou ciente do que se tratava. O escriba do Rei William não falava em Anglo-saxão, mas obviamente era fluente na língua francesa e na fala e escrita do latim.
Presumo que o escriba tinha um intérprete do Old English, e com o auxílio dele, ao ouvir a pronúncia de um anglo-saxão dizer que a propriedade chamava-se Wotherton, ou melhor, Wudu ford tun em Old English, o mesmo escreveu tudo junto em seu caderno de anotações, formando um único nome, VDEVERTVNE. O escriba do Rei mencionou em seu caderno, que passou a chamar-se Domesday Book, que a propriedade rural VDEVERTVNE era uma fazenda que possuía uma “mansão”, e a mesma ficava instalada numa terra arborizada e que era banhada por um rio, onde a sua entrada era feita através da parte mais baixa do mesmo (ford).
Eu, Oscar, analisei muito o que o escriba do Rei inglês mencionou sobre Wotherton no livro Domesday, principalmente sobre o rio que banhava a propriedade Wother, o que acredito de além do mesmo fornecer a água, também servia de proteção à mesma.
Pelas minhas pesquisas, como referi antes, o acesso à fazenda era feito através da parte mais rasa do rio, chamada de FORD e esta passagem servia para entrar na estrada que ia até a mansão da propriedade VDEVERTVNE (Wotherton). Portanto, para acessar a propriedade VDEVERTVNE existia um tipo de entrada, a qual era feita através da “parte mais rasa de um rio” (FORD), o que obviamente havia um “guarda” controlando o entrar e sair de pessoas para conferir segurança ao local. O nome Ford se referindo à parte mais rasa de um rio onde uma pessoa poderia passar a pé, sugere também que este ponto de passagem correspondesse a uma ponte via água que ligava a propriedade Wotherton ao lado de fora.

VDEVERTVNE e análise de sua grafologia.
Vou separar o nome VDEVERTVNE escrito pelo escriba do monarca inglês William em 1086 d.C., em três palavras, ficando, então, VDE, VER e TVNE, que respectivamente representam os três nomes anglo-saxões, Wudu, Ford e Tun. O que aconteceu inicialmente foi uma enorme alteração da escrita de três nomes do Old English.
O meu sobrenome Wother é escrito pelo Modern English e isto já faz uns 500 anos. Eu (Oscar), volto lá na Inglaterra do século XI d.C., e pego as duas palavras WUDU e FORD escrita em Old English e me coloco no lugar do escriba, as escrevendo VDEVER, que simplesmente grafou unidas e de forma alterada,  que corresponde hoje pelo Modern English ao meu sobrenome Wother.
No andamento desta análise da grafologia do meu sobrenome, irei discorrer muito e com detalhes da escrita do nome VDEVER, mas quero fazer uma prévia observando que a letra V do alfabeto romano no período Old English a partir do século VII representava o sinal gráfico W inventado pelos germânicos, o qual só no século XI entrou para o alfabeto latino. Como analisado digo que a primeira letra V no nome VDEVER tinha a pronúncia de duas letras U unidas (dábliu), o que podemos dizer igual ao do sinal gráfico W usado na escrita do nome Wudu em Old English.

O sufixo ER do sobrenome Wother
Analisando a escrita do meu sobrenome Wother, percebo que a finalização ER, ou que posso chamar também de sufixo ER, provém das letras O e R do nome FORD, o qual por sua vez o escriba do século XI d.C., escreveu de forma errada a palavra VER.
Observo que pelas minhas pesquisas o escriba do Domesday Book suprimiu a letra D do nome FORD no que se refere a sua pronúncia muda, e ao invés de escrever OR, grafou ER por questões provavelmente de sons fonéticos entre as letras O e E. A letra F foi trocada por V, o que gerou a palavra VER.
Já vi em minhas pesquisas de fonética da letra F do alfabeto Old English, que a mesma representava tanto a letra F como a V. Estes detalhes dos sons das pronúncias das letras tanto do alfabeto romano como do Old English, é claro que contribuiu para o escriba do Domesday Book cometer erros de escritas dos nomes ingleses.
Provavelmente e o que é mais lógico, a primeira letra E e a segunda letra V foram suprimidas do nome VDEVER, que ficaria escrito VDER. Isto causa espécie, mas, no livro do escritor inglês Moorman, que mostrarei mais adiante, mostra centenas de sobrenomes ingleses passando pelo mesmo tipo de variações grafológicas como meu sobrenome Wother.         
Saliento que o nome VDE é derivado direto da palavra Wudu do Old English, e tudo isto aconteceu porque o escriba do Domesday Book só escrevia em latim.
Pelas minhas pesquisas o sufixo ER usado em sobrenomes ingleses, alemães e holandeses, refere-se a um habitat (moradia) com proteção, seja por meios da natureza (rio, floresta, montanha, etc.) ou humano (guerreiro ou exército). 
Eu estudei e analisei o nome VDEVERTVNE escrito pelo escriba do Rei William e resolvi fazer uma perícia, se assim posso falar e mostrar algumas páginas do manuscrito Domesday Book (DB), ou melhor, partes de algumas páginas do referido maravilhoso livro britânico (DB) e tentar mostrar certos erros grafológicos de registro de alguns nomes Anglo-saxões. Esta perícia tem como motivo tentar esclarecer porque o escriba cometeu erros ao escrever os nomes dos proprietários de terras nos condados britânicos no século XI a.C..
Para realizar o trabalho de perícia falarei antes de outra propriedade da família Wother no ano 1086 d.C., chamada Wothersome hoje pelo Modern English, porém, na ocasião em que o escriba do Rei William registrou o referido local, o grafou pelo nome Wodehuse no Domesday Book. 

WOTHERSOME – A fazenda das casas Wother
Nesse ponto passo a análise do nome Wodehuse escrito pelo escriba em 1086 d.C., que na realidade deveria ter sido escrito Wudu ford husum.
Conforme minhas pesquisas, Wodehuse devia ter sido escrito Wuderhuse, ou Woderhuse, pois ficaria mais condizente com a escrita Old English, mas como eu já disse antes, o escriba do Domesday Book só sabia escrever em latim medieval.
Ao longo desta análise do nome Wothersome objetivo esclarecer porque  o nome Ford faz parte de sua construção gráfica.
Pretendo demostrar que o mesmo homem que escreveu VDEVERTVNE, também, visitou as casas da fazenda Wother (Wodehuse) em Yorkshire em 1086 d.C.. O que apontarei acerca da origem da escrita do nome Wothersome em parte é fruto do que pesquisei e outra parte é o do que conclui de sua grafia. O escriba ao chegar às casas da fazenda Wother em Yorkshire foi recebido por um homem anglo-saxão, provável parente do proprietário da fazenda Wotherton em Shropshire, o qual ficando ciente do que se tratava aquela visita, informou que a propriedade rural era a fazenda Wudu ford husum.
O escriba ao ouvir novamente um anglo-saxão falar o nome Wudu Ford, porém sem citar o termo Tun, mas sim o nome Husum ao final,  grafou Wodehuse, suprimindo o termo ford. No nome Wodehuse não consta o termo VER (Ford) que o escriba escreveu no nome VDEVERTUNE, porém a letra R consta no nome Wothersome escrito pelo Modern English

Avaliação da letra R no nome Wothersome derivado de Wodehuse.
Cumpre analisar uma frase escrita na página 11 de um dicionário antigo da língua inglesa, publicado pela FENAME em 1969, pertinente à chave de pronúncia, onde diz o seguinte:
“No inglês falado no sul da Inglaterra a letra R não é pronunciada quando em final de palavra ou seguida de consoante”.
Quando estava pesquisando a grafia do meu sobrenome, reparei que do ano 1086 d.C.,  período Old English, até o final da época do Middle English, a letra R do sobrenome Wother havia sumido, com exceção que o escriba do Domesday Book no século XI d.C., a registrou no nome VDEVERTVNE..
Em minhas pesquisas encontrei o livro do escritor e dramaturgo inglês Frederic William Moorman, publicado em 1910, onde se vislumbra o sobrenome Wother na evolução de sua grafia desde o final da época do Old English grafado Wode sem o sinal gráfico R em seu final, passando por várias datas do Middle English sem mostrar a letra R e nas primeiras décadas do início de período Modern English (ano 1535 d.C.) aparece portando o R no nome Woder.
A letra R no meu sobrenome Wother ficou registrado no Domesday Book no nome VDEVERTVNE, nome derivado de Wudu Ford Tun, três termos anglo-saxões já mostrados antes. Os termos Wudu Ford Tun do Old English etimologicamente foram unidos no século 11 d.C., para gerar o nome Wotherton, grafado desta forma pelo Modern English.
Observo que o próprio escritor e dramaturgo inglês Frederic W. Moorman pesquisou “os manuscritos de Domesday Book” para escrever o seu memorável livro The Place-Names of the West Riding of Yorkshire”. Durante o processo de evolução do sobrenome Wother, no ano de 1535, referentes às primeiras décadas do período do Modern English, o escritor Moorman mostra o nome Wodersom, penúltima forma grafada deste nome, mas apresentando a letra R grafada. O escritor Moorman mostra o ano de 1578, onde o meu sobrenome aparece grafado Wother no nome Wothersome (fazenda Wother) e da mesma forma como em Woder, mostrando a letra R em seu final. Observo também que o meu sobrenome atualmente tem sua grafia igual a do ano 1578, mantendo-se integro já por mais de quatro séculos.
A palavra some e as demais derivações de husum grafados de forma diferente para cada ano mostrado no livro de Moorman mostra como foi chamada a fazenda da família Wother em Yorkshire em cada etapa da evolução do meu sobrenome.
Veja abaixo o que chamo de evolução da grafia do  sobrenome Wother conforme mostra o livro de Frederic William Moorman:
1 - Wodehusu, Wodehuse – DB / Domesday Book (Ano 1086 d.C.).
2 - Wudehusum – C.C.R. / Calendário de Charter Rolls (Ano 1310 d.C.).
3 - Wodhusom, Wodhouse e Woodeshom – K.I. / Kirkby`s Inquest (Anos 1285-1316 d.C.).
4 - WodersomV.E. / Valor Ecclesiasticus (vol. V). (Ano 1535).
5 - Wothersome  - Y.F. /  Yorkshire Fines (Ano 1578).

Nota:
Vemos acima além das diversas grafias que o sobrenome Wother teve desde o século XI d.C., até o século XVI d.C., os livros e os anos que os mesmos foram publicados mostrando toda evolução de escritas do meu nome de família inglês.
Juntando a informação que vi no dicionário da FENAME (1969) citado acima, mais o dado colocado pelo escritor Moorman em seu livro The Place-Names of the West Riding of Yorkshire, foi possibilitado ver que o sinal gráfico R do final do sobrenome Wother sempre esteve presente e que tudo era uma questão do mesmo não ser pronunciado quando se falava o meu nome de família britânica até o ano 1535 d.C.. Acredito que os escribas e escritores passaram a omitir a referida letra R no final do meu sobrenome pela mesma não ser pronunciada, daí, em seus trabalhos manuscritos isto perdurou até o ano de 1535, quando o referido sinal gráfico foi resgatado e grafado no nome Wodersom.
No meu entender,  este tipo de erro cometido por muitos escritores, omitindo letras em nomes ingleses originados no período do Old English, decorre do simples fato de serem copistas, onde há autores de diversos livros de sobrenomes ingleses que só copiam e não analisam, não estudam e não conferem como as palavras surgiram, não se preocupando para estes detalhes. Eu sou muito detalhista  no que escrevo, pesquiso incansavelmente em busca da verdade, muitas vezes sem achar o que quero, mas aquilo que consigo averiguar eu mostro ao público leitor e tento dar uma explicação por mais simples que seja.
Conforme já referi em outra passagem, estimo que o escriba no ano 1086 d.C., ao visitar a propriedade rural dos Wother (Wothersome) em Yorkshire,  Inglaterra, quando ouviu um anglo-saxão, falar aqui é a fazenda Wudu Ford Husum, a letra R do nome Ford soou fraca,  quase muda, e o escriba não ouvindo direito o som do sinal gráfico R o mesmo não o escreveu no nome Wodehusum, aliás suprimiu toda a palava VER (Ford), conforme ficou registrado no Domesday Book.
O detalhe da letra R soar fraca quando pronunciada em final de palavra no sul da Inglaterra, conforme consta no dicionário da FENAME citado anteriormente, se retrata no que ocorreu com o nome Wodehuse, onde o escriba omitiu a palavra FORD na escrita da referida palavra. É claro que Yorkshire se localiza na região norte da Inglaterra, mas pretendo esclarecer melhor este acontecimento da omissão de escrita da letra R no nome Wodehuse que foi a origem lá no tempo do Old English do meu sobrenome Wother.
O que digo acima contempla a minha opinião obviamente, escrito junto ao que li no dicionário da FENAME. Cabe frisar que no referido dicionário consta que “no inglês falado no sul da Inglaterra a letra R não é pronunciada quando em final de palavra ou seguida de consoante”.
Eu, Oscar, para contrariar o que está escrito no dicionário da FENAME, me refiro às regiões oeste e norte da Inglaterra, respectivamente Shropshire e Yorkshire. O que quero esclarecer é que provavelmente o dono da propriedade Wothersome era um homem anglo-saxão que não pronunciava a letra R em final de palavras, tipo os habitantes do sul do país inglês.
Eu acredito que esta é uma explicação viável, ou até lógica, porque durante a visita do escriba do Rei William à Fazenda Wother em Yorkshire no ano de 1086 d.C., quando o proprietário da mesma pronunciou o nome de sua propriedade, a letra R não soou, como se não existisse, no caso, então, foi grafado Wode e não Woder. No caso o escriba uniu a palavra Husum, que significa casas, ou melhor, escreveu huse e atrelou direto no nome Wode, ou seja, Wodehuse, indicando a fazenda das casas Wother. Com se vê até a palavra husum perdeu o final UM e foi substituído pela letra E, sendo grafada HUSE.
Acredito que tive sorte ao encontrar estes detalhes grafológicos referentes ao meu nome de família britânico, porque senão eu não teria conseguido explicar a origem da letra R no sobrenome Wother. Lembro que a letra R foi mostrada quando o escriba do rei William visitou a fazenda Wother em Shropshire, onde a grafou no nome VDEVERTVNE, derivação dos nomes Wudu FORD tun em Old English. Eu acredito, e como já falei antes, o escriba já estava se familiarizando com os nomes anglo-saxões, pois ao invés de grafar VDE, escreveu WODE, seu equivalente, no qual na frente aparece à letra W, o mesmo usou o recurso de dobrar a letra V, ou seja, representou a pronúncia do W com dois Vs unidos. 
Só reconfirmando, o nome Wodehuse, constituído pelos dois nomes Wode e huse, dados obtidos com a pesquisa, mais a minha conclusão, digo para esclarecer melhor, e até para lembrar, que o primeiro termo deriva da palavra Wudu (terra arborizada banhada com um rio) e o segundo termo provém do nome husum (casas), sendo ambos os vocábulos anglo-saxônicos. Saliento que o singular de Husum em Old English é Hus.

Letra W do sobrenome Wother
Analisando a letra W do início do meu sobrenome Wother, escrito assim obviamente pelo Modern English, consegui entender que o escriba ao visitar a fazenda das casas Wother em Yorkshire no ano 1086 d.C., já havia ficado inteirado que o nome WUDU em Old English era grafado com um sinal gráfico W parecido com duas letras Vs unidas do alfabeto romano.
Observo que o escriba do Rei William da Inglaterra sabia escrever em latim, mas não em Old English, e pude aferir durante as minhas pesquisas que a palavra Wudu era assim escrita pelo inglês antigo, pois como já falei antes, os germânicos haviam inventado o sinal gráfico W desde o século VII d.C..  Graças a Deus que o escriba grafou a letra R em VDEVERTVNE quando visitou Wotherton em Shropshire em 1086 d.C., e quando chegou na fazenda das casa dos Wother (Wothersome) em Yorkshire usou o recurso de grafar dobrado a letra V, ou seja, escreveu VV unidos para representar o sinal gráfico W que já existia, escrevendo VVodehuse.
Como vimos acima o escriba do Domesday errou muito no grafar o meu sobrenome no ano 1086 d.C., mas também acertou registrando as letras R e W no mesmo.  
Observações:
1 – A letra W como já disse antes, não fazia parte do alfabeto romano, e como a história conta, a mesma foi criada pelos povos germânicos (Inglaterra, Escandinávia e Alemanha) para representar um dos sons da pronúncia da letra V do alfabeto romano. No caso da Inglaterra no período da fala e escrita do Anglo-saxão, havia palavras que o seu início soava com a pronúncia da letra U dobrada e pelo que os documentos pesquisados por mim dizem, que na escrita Old English o sinal gráfico W já era usado. A história também diz que os escribas dos manuscritos em latim, tipo o livro Domesday começaram a usar duas letras Vs unidas do alfabeto romano para representar o som pronunciado do sinal gráfico W germânico.  
2 – Observo que o escriba ao registrar no Domesday Book os milhares de nomes ou sobrenomes das famílias Anglo-saxãs e vikings dos condados ingleses, o mesmo errou muito ao grafá-los.
3 - Simplesmente como já referi, o escriba era um homem letrado, um entendido na escrita do latim medieval, sendo assim, não só o meu sobrenome, mas diversos, até eu diria que a maioria dos sobrenomes dos proprietários rurais sofreu alterações em suas escritas, sendo principalmente pela retirada ou troca de letras e da omissão ou acréscimo de uma palavra completa na formação dos nomes (sobrenomes) anglo-saxões e vikings no período Old English.

PERÍCIA DA GRAFIA DO ESCRIBA DO DOMESDAY BOOK
WOTHERTON
Veja a seguir parte do conteúdo da página 16, cópia do documento original que obtive via  Internet, referente à Shropshire no livro Domesday onde o escriba do Rei William em 1086 escreveu VDEVERTVNE, e não UDEVERTUNE como é mostrado em muitos livros de história de sobrenomes ingleses e como também não usou o sinal gráfico W para grafar o início do referido nome.
Na cópia parcial da página 16 no DB pertinente a Shropshire, conforme vemos abaixo, no final da mesma linha, onde o escriba grafou VDEVERTVNE, usando dois Vs juntos para representar o sinal gráfico W, para escrever um nome.

Figura 5:
  



Vemos acima o nome VDEVERTVNE, como já expliquei antes, o mesmo é formado por três termos, VDE+VER+TVNE, sendo assim vamos isolar o termo VDE e ver como o escriba poderia ter grafado o mesmo de fato. Já sabemos que a letra W podia ser representada por dois Vs unidos.
Conforme minhas pesquisas a letra U minúscula (u) passou a existir na Idade Média. No meu entender, no século XI d.C., o escriba do Domesday Book não precisava ter grafado o termo VDE conforme visto no nome VEDVERTVNE.
O termo VDE, derivado da palavra Wudu do Old English, poderia ter sido escrito pelo escriba do rei William, VVudu, ou até VVude, ou VVode, pois este nome conforme os pesquisadores em grafia de sobrenomes em Old English, o mesmo era escrito com o sinal gráfico W inventado pelos germânicos no século VII d.C., e com as letras u + d + u do Alfabeto Latino.
Eu acredito que foi uma questão de interpretação e escuta do escriba quando escreveu VDEVERTVNE no Domesday Book, pois o mesmo tinha conhecimento para representar a letra W, usando dois Vs unidos, no momento em que ouviu a pronúncia anglo-saxônica do proprietário da propriedade rural Wotherton em Shropshire, Inglaterra.
Observações:
1 – Aacredito que o escriba do Rei William pode, sem querer, ter sido  o homem, ou um dos homens entre outros escribas do tempo da escrita Old English, que ocasionou a entrada do famoso sinal gráfico W germânico ao alfabeto latino no século XI d.C.. Lembro que o sinal gráfico W foi inventado no século VII d.C., ou seja, quatro séculos antes de entrar para o alfabeto latim, ou seja no século XI d.C...
2 - A letra W é a 23ª letra do alfabeto latino inglês e tem sua origem na pronúncia do sinal gráfico Ƿ (Wynn) do alfabeto runa germânico. Lembro que já falei que a invenção do sinal gráfico W é dos germânicos.
3 – A história também conta que os inventores do nosso Alfabeto, os fenícios, eram navegadores e comerciantes, sendo assim inventaram quase todas as letras do nosso alfabeto, inclusive a letra W. Os gregos pegaram o alfabeto dos fenícios, que posteriormente os romanos fizeram uso do mesmo, mas não adotaram a letra W. Sendo assim a mesma surgiu ou reapareceu entre os povos germânicos e existe até hoje no nosso alfabeto. 
3 - Em função das descobertas que fiz com minhas pesquisas, digo, que o nome Wotherton escrito pelo Modern English foi influenciado em sua pronúncia atual desde o período da fala e escrita em Old English, pois a letra D da palavra Wudu, provavelmente no século XI d.C., soava como se fosse às letras T e H escritas juntas. Pelo Modern English, as letras T e H escritas juntas forma o dígrafo TH.
Saliento, então, que a letra D usada durante o período do Old English e do Middle English usada no nome Wotherton e em outros nomes anglo-saxões, acabou a partir do século XVI d.C., sendo totalmente trocada pelo dígrafo TH no Modern English.
4 - A forma como o escriba do Rei William escreveu VDEVERTVNE, promoveu naquele momento uma simplificação e alteração dos três elementos básicos que formou o referido nome, onde principalmente o elemento FORD foi representado pelo termo VER.
5 - O termo VER inicialmente não tem visualmente nada em comum ou similar com o elemento FORD, mas o que poderia-se dizer do escriba, que o mesmo escutou e escreveu o que entendeu da fala de um homem anglo-saxão, no caso o proprietário da fazenda Wother (Wotherton) em Shropshire.
6 - O escriba também errou ao escrever TUNE, pois em Old English deveria ter sido TUN, que pelo Modern English é TON e tem o significado de fazenda. Alerto para não confundir outra palavra em inglês moderno escrita também ton que significa tonelada.
Um pouco mais adiante, na sequência desta perícia irei mostrar novamente o nome Wothersome, que no século XI d.C.  denominavam as casas da fazenda Wother em Yorkshire, Inglaterra.  O motivo de eu citar novamente de Wothersome é pelo fato de tornar mais fácil o que quero falar da escrita do nome Wode praticada pelo escriba do rei William quando em 1086 d.C., visitou a chácara dos Wother em Yorkshire.

CONTINUANDO A PERÍCIA...
Pretendo mostrar cópia parcial da página 4 com anotações referentes à propriedade rural da família FORD em Shropshire, fazendo uma comparação da escrita deste nome Anglo-saxão (FORD) com a palavra VDEVERTVNE.
Mostrarei parte da página 16 referente à fazenda VDEVERTVNE em Shropshire a qual possui em sua formação vocálibica a palavra Ford (VER).
Pretendo provar que o escriba do Rei William era o mesmo homem que escreveu os nomes Ford e VDEVERTVNE (Wudu ford tun) respectivamente nas cópias parciais das páginas 4 e 16 referentes à Shropshire no Domesday Book. Quem escreveu era o mesmo homem e pode-se ver pela sigla T.R.E. ( ) existentes nos dois textos que mostrarei a seguir, onde a caligrafia é a mesma.
Abaixo, vemos em dois textos escritos a manuscrito no Domesday Book, páginas 4 e 16 como o escriba escreveu respectivamente FORDE ao invés de FORD e VER no lugar de FORD no meio do nome VDEVERTUNE. Os dados abaixo são cópias online feitas direta de Open Domesday na Internet.
FORDE = Ford - (página 4, Shropshire – Domesday book).

Figura 6:
 

VDEVERTVNE = Wotherton, (pg 16, Shropshire – Domesday book)

Figura 7:
 

Abaixo vemos como o mesmo escriba do Domesday Book escreveu corretamente o nome FORD em Bradeford e em Herefordshire.
Bradeford - pg 3, Herefordshire – livro Domesday.

Figura 8:


hEREFORDSCIRE = Herefordshire, pg 3 - (Domesday Book).

Figura 9:
 

  
O nome FORD é de origem inglesa, tecnicamente sofreu uma ou outra alteração em sua grafia desde o período Old English, passando o Middle English e entrando no Modern English, mesmo que o escriba o tenha grafado isolado ou atrelado a outro nome, ou entre nomes, sua escrita em inglês antigo se mantém integro até os dias atuais.
Os erros do escriba em 1086 d.C., onde houve a derivação VER do nome Ford, não extinguiu o mesmo do vocabulário inglês e no caso referente ao meu sobrenome Wother, contribuiu de forma especial na evolução do meu nome de família britânica e mostrou de onde saiu a letra R do mesmo. Este caso referente a meu sobrenome, aconteceu de forma similar na evolução de diversos nomes de famílias britânicas, sendo que cada caso tem de ser estudado à parte.  
Curiosidades:
Pela minha pesquisa, é possível afirmar que o escriba do Domesday Book, poderia mesmo errando ter grafado Wudufordtun, ou até com as derivações Wudefordtun, ou Wodefordtun, pois na Idade Média e no caso no século XI d.C., os escribas na Grã-Bretanha já usavam as letras minúsculas e o sinal gráfico W em seus manuscritos. Podemos ver nas cópias parciais das páginas do Domesday Book que mostrei antes, um trabalho feito a manuscrito, onde o escriba usava letras minúsculas e o sinal gráfico W era obtido com o uso de duas letras Vs unidas (VV).

Dictionary of Britsh Place-Names
Existe o DIctionary of Britsh Place-Names de autoria do inglês David Mills, publicado em 2011 pela editora OUP Oxford, onde no mesmo diz em uma pequena frase o significado de Wotherton. “Farmstead by the woodland ford”. A referida frase mais ou menos se refere ao que escriba do Rei William pensou quando escreveu VDEVERTVNE no Domesday Book em 1086 d.C., conforme já explicado. Na página 511 do referido dicionário David Mills esclarece que a frase “Farmstead by the woodland ford” se refere aos três termos do Old English, wudu+ford+tun (VDEVERTVNE), que deu origem ao nome Wotherton grafado pelo Modern English.
Finalizo a minha perícia do nome Wotherton, dizendo que pelo Modern English, o mesmo foi resgatado em sua grafia quanto a sua origem anglo-saxônica e se apresenta como um vocábulo grafologicamente dentro dos padrões do idioma inglês.       
Continuaremos a perícia do sobrenome Wother analisando o nome Wothersome, que acredito completar o trabalho feito com o nome Wotherton.

WOTHERSOME
Para entender melhor quando terminou oficialmente o período da fala Old English em 1100 d.C., e iniciou o período do Middle English, devemos lembrar da invasão normanda da Inglaterra, onde, o que acredito que a partir deste acontecimento, ano 1066 d.C., realmente foi a data que a antiga língua inglesa começou a ser trocada pela fala do Middle English.
O detalhe que quero salientar é sobre o motivo que o escriba não escreveu Vdehuse e sim VVodehuse na visita que fez a fazenda das casas da família Wother em Yorkshire em 1086 d.C..
Observo que em minhas pesquisas no Domesday Book, eu constatei que o escriba escreveu a palavra ODE ao invés de VDE, ou de Wode, quando ouvia a pronuncia de um anglo-saxão falar o nome Wudu. Esta escrita ODE era pertinente ao nome Wootton, que no final deste histórico irei esclarecer mais sobre outras derivações do nome Wudu.  
Pesquisei e estou tentando entender também porque o escrita escreveu Wode ao invés de Wudu, e como já mencionei antes, pode ter sido pela pronúncia anglo-saxônica, e escreveu o que pensou estar ouvindo. Um detalhe importante já mencionado antes, o escriba errando na escrita do nome Wudu, o mesmo já estava provavelmente entendo um pouco da fala Old English, tanto que não escreveu VDE, mas sim Wode, que sem dúvidas não parecia uma latinização do meu sobrenome Wother naquela ocasião, mas sim uma tendência de grafar o meu nome de família inglesa pela regra da escrita anglo-saxã.
O livro Domesday foi escrito em 1086 d.C., ano que indica que o período da fala e escrita do Old English (500-1100 d.C.) estava se aproximando do fim, portanto no início do Middle English, que começou obviamente quando ainda se falava e escrevia o antigo inglês. Pelas minhas pesquisas e análises da fala e escrita do Middle English, o mesmo, talvez tenha começado no ano 1066 d.C., tanto que a palavra Wothersome foi grafada Wodehuse em 1086 d.C. no Domesday Book, tipo uma mistura de escritas de Old e Middle English.
Urge esclarecer que a palavra huse deveria ter sido grafada husum (Old English) pelo escriba, neste caso, o referido termo atrelado à palavra Wode, teria formado o nome Wodehusum, que como já sabemos indicava as Casas da fazenda Wother em Yorkshire. Na época, ano 1086 d.C., se o escriba tivesse grafado Wodehusum teria se aproximado da escrita anglo-saxã e se houvesse grafado Wuduhusum teria acertado 100 %, não obstante o mesmo ter suprimido o nome ford (ford = VER). Lembro que em Old English a palavra husum (casas) era o plural de hus (casa).

ESCLARECIMENTOS
1 - Pelo meu sobrenome Wother isoladamente não foi possível obter informações de sua grafia desde o tempo do Old English, mas como já demonstrado, tive sorte de descobrir que o mesmo atrelado aos sufixos ton, some e spoon indicavam as propriedades rurais da minha família britânica na Grã-Bretanha. Isto foi ótimo, pois me permitiu montar todo quebra cabeça da etimologia do sobrenome Wother.
2 - Um detalhe importante é quanto à letra R do meu sobrenome Wother, que em 1086 d.C., o escriba a mostrou no grafar VDEVER no Domesday Book. Já esclareci isto, mas ao longo de minha pesquisa só foi possível achar um registro da letra R do meu sobrenome Wother, ou seja, no nome VDEVER, o qual compõe a palavra VDEVERTUNE, referente à fazenda de meus prováveis antepassados em Shropshire no Domesday Book.
Conforme já mencionado, em 1535 d.C., o escritor inglês Moorman mostra em seu livro o aparecimento da letra R no meu sobrenome e com ênfase apresenta o mesmo grafado Wother em 1578 d.C.
Veja abaixo parte do conteúdo da página 7, cópia do documento original do manuscrito Domesday Book obtida via Internet, referente à Yorkshire, West riding, onde o escriba do Rei William em 1086 escreveu Wodehuse e West Reding, usando duas letras Vs unidas para representar a letra W, provando que este sinal gráfico já era usado na Inglaterra.
Lembro que a letra U minúscula (u) já existia na Idade Média, tanto que o escriba do Rei William usava muito a mesma conforme visto abaixo para escrever em manuscrito o Domesday Book.

Figura 10:
 

Curiosidades e derivações do nome Wode
Como já sabemos o nome Wode deriva do nome Wudu do Old English e cabe salientar que pelas minhas pesquisas o mesmo gerou os quatro sobrenomes ingleses, Wother, Wotter, Wotton e Wootton. Como já mostrei antes, meus prováveis antepassados proprietários da fazenda Wothersome em Yorkshire tiveram sua propriedade rural registrada no Domesday Book com o nome Wodehuse, mas em Surrey e Wiltshire na Inglaterra, também foram registrados no referido livro inglês respectivamente os nomes Wodeton e Wodetone, que hoje pelo Modern English correspondem aos sobrenomes ingleses Wotton e Wootton. Ainda estou lendo o Domesday Book, e até agora só achei o nome Wode referindo-se aos sobrenomes Wother, Wotton e Wootton.
Vejamos abaixo parte de algumas folhas do manuscrito Domesday Book onde são citados os nomes Wodehuse, Wodeton e Wodetone em seus respectivos condados na Inglaterra:
Wodehuse = Wothersome, pág. 7, Domesday Book – Yorkshire

Figura 11:
 
  
Wodeton = Wotton, pág 13, Domesday Book – Surrey

Figura 12:
 
Wodetone = Wootton, pág. 14, Domesday Book – Wiltshire

Figura 13:
 

Referente ao sobrenome Wotter não encontrei até agora nenhum registro do mesmo no Domesday Book, mas no Dictionary of British Place-Names de autoria de David Mills, publicado pela OUP Oxford, 20.10.2011, consta na página 511 que o referido nome pelo Old English era grafado Wudutorr e que no ano 1263 havia um local com uma colina rochosa e arborizada em Devonshire chamada Wodetorre.
Existem em Pelotas/RS as famílias Wother e Wotter , que são parentes. Acredito que houve alguma confusão na Inglaterra quanto aos dois sobrenomes, talvez até por terem a mesma origem etimológica (Wudu = Wode), o que contribuiu para pessoas destas famílias passarem a terem estes dois nomes grafados tanto com TH e TT. Esta confusão acabou irmanando estas duas famílias, tanto na Inglaterra, como em Pelotas/RS. Este processo etimológico chama-se derivação de um nome ou sobrenome.
Já refleti muito sobre assunto acima, mas infelizmente não achei nada detalhado sobre o nome Wodetorre, e às vezes até considero que os Wother provavelmente tinham além de suas propriedades em Shropshire e Yorkshire, mais outra propriedade rural com uma pequena montanha conhecida por “colina rochosa arborizada” no século 13 d.C., em Devonshire.
Localizei um município em Devonshire chamado Wotter na Grã-Bretanha, mas o mesmo foi fundado no ano 1906 d.C., sendo assim data posterior ao ano 1840 d.C., quando o meu antepassado inglês Thomas Wother imigrou para Pelotas/RS. Reitero que o meu falecido pai sempre dizia-me que o bisavô dele vinha da Inglaterra de um local com nosso sobrenome, inclusive isto estava escrito nos documentos guardados no baú inglês sob sua guarda até o ano 1937 em Pelotas/RS. Acredito que pelo motivo provável do sobrenome Wotter não ser citado no Domesday Book e de somente no século XIII d.C., aparecer grafado Wodetorre conforme mostrado no dicionário do escritor inglês David Mills, pode o mesmo realmente ter uma ligação muito grande como o meu nome familiar britânico Wother. Isto envolve claro muita pesquisa para confirmar de fato o que penso.

CONCLUSÃO
Escrever a história de minha família Dias Wother não foi fácil, pois tive de descobrir os sobrenomes dos lados maternos tanto do meu pai, como de minha mãe. Sou gaúcho descendente de europeus latinos e anglo-saxões, o que faz uma mistura boa. A minha mãe falava muito de sua etnia lusitana dando ênfase ao seu avô Jorge Lourenço de Coimbra, vindo em meados de 1870 de Portugal e o meu pai da mesma maneira contava a história de seu avô Osório Wother, filho de meu tataravô emigrado da Inglaterra em 1840, os quais conforme os meus progenitores contribuíram muito com a cidade de Pelotas em fins do século XIX e primeira metade do século XX.
Eu tive a ajuda de um amigo, o gaúcho historiador Figurelli, que em 2016 enviou-me um recorte de jornal comunicando a morte de meu bisavô Osório Wother e posteriormente informou-me o nome do meu tataravô inglês Thomas Wother, onde pude afinal montar todo o quebra cabeça do meu lado britânico. Quando conclui o histórico da origem da minha família Dias Wother, tendo que fazer um trabalho etimológico acompanhado de uma perícia sobre as grafias do meu sobrenome britânico, eu agradeci a Deus por ter tido sorte em achar livros especiais tipo o Domesday Book, o livro de brasões de James Fairbairn, o livro do escritor Moormann e o dicionário de nomes de lugares britânicos de David Mills, sem os quais este trabalho histórico não teria tido êxito.
Fiquei emocionado quando consegui saber por que o meu sobrenome tem as letras W, TH e R em sua construção gráfica.
Fechando com “Chave-de-Ouro”, eu aconselho a todos que apreciaram o meu histórico de família, e que quiserem saber mais sobre o que falei das diversas formas escritas dos sobrenomes ingleses, que leiam o “Manuscrito Domesday Book” via Open Domesday e o livro “The Place-Names of the West Riding of Yorkshire”, de autoria de Frederic William Moorman dispostos ao público na Internet. Lendo as referidas obras conhecerão centenas de sobrenomes ingleses e das grafias que os mesmos tiveram desde o século 11 d.C., até  a época atual.
Enfim, lembro a obra de Charles Berlitz, na qual ele  menciona o seguinte:

“Já no século XIV, o inglês havia novamente se tornado a língua escrita, bem como a língua falada da Inglaterra. Eduardo I, ele próprio descendente dos reis normandos, em certa ocasião acusou formalmente o rei francês de desejar eliminar a língua inglesa.” (BERLITZ, 1988, p.34)

O que consta na citação acima está provado através do Modern English, da forma como é escrito e falado no atual inglês, provando assim que houve um resgate da língua oriunda do anglo saxão.

Obrigado pela atenção dada ao meu histórico de minha família Dias Wother! 😀

REFERÊNCIAS:

7 GRAUS. Significado do nome Dias. In: Dicionário de Nomes Próprios. Disponível em: < https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/dias/>. Acesso em 24 de abr. 2019.
7 GRAUS. Significado do nome Lourenço. In: Dicionário de Nomes Próprios. Disponível em: < https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/lourenco/>. Acesso em 29 de mar. 2019.
BERLITZ, Charles. As línguas do mundo. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. p. 31-34.
FAIRBAIRN, James. Fairbairn's book of crests of the families of Great Britain and Ireland. v. 1. London:  T. C. & E. C. Jack, 1905. p. 605.
FAIRBAIRN, James. Fairbairn's book of crests of the families of Great Britain and Ireland. Disponível em: <https://archive.org/details/fairbairnsbookof01fair>. Acesso em 20 de set. 2017.
FAIRBAIRN, James. Fairbairn's book of crests of the families of Great Britain and Ireland.  Disponível em: <https://archive.org/details/fairbairnsbookof02fair>. Acesso em 22 de out. 2017.
HOUSE OF NAMES. Wotherspoon Name Meaning, Family History, Family Crest & Coats of Arms. Disponível em: <https://www.houseofnames.com/wotherspoon-family-crest>. Acesso em 13 de set. 2018.
HOUSE OF NAMES. Wotherton Name Meaning, Family History, Family Crest & Coats of Arms. Disponível em: <https://www.houseofnames.com/wotherton-family-crest>.  Acesso em 5 de set. 2018.
LEEUW. Brasão da Família Lourenço – Brasões. Disponível em:<brasaodefamilia.blogspot.com/2015/06/brasao-da-familia-lourenco.html>. Acesso em 18 de fev. 2019.
MILLS, David. A Dictionary of Britsh Places-Names. Oxford: OUP Oxford, 2011. p. 532.
MOORMAN, Frederic William. The Place-Names of the West Riding of Yorkshire. Leeds: The Thoresby Society, 1910. p. 280
MOORMAN, Frederic William. The Place-Names of the West Riding of Yorkshire. Disponível em: <https://huddersfield.exposed › wiki › The_Place-Name...> Acesso em 27 de jul. 2019.
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SERPA, Oswaldo. v. 6. Guanabara: FENAME. Ministério da Educação e Cultura, 1969. p. 1304.
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SMITH POWEL, Anna. Wothersome. In: Domesday Book - Open Domesday. (online). Disponível em < https://opendomesday.org/place/SE4042/wothersome/>. Arquivo capturado em 23 de fev. 2019.
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WILLELM I. The Domesday Book Online. Disponível em: <www.domesdaybook.co.uk/landindex.html>. Acesso em 04 de mar. 2019.